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23 de outubro de 2015

«O Estado Islâmico não é forte, só tem força por causa da nossa fraqueza»



O patriarca sírio Gregório III Laham, líder greco-melquita de Antioquia, considera importante que haja «voz única em favor da justiça, da paz, da amizade», que possa ajudar a resolver os conflitos no Médio Oriente. «Um dia são os norte-americanos que combatem, no outro são os russos, é inútil. O Estado Islâmico não é forte, só tem força por causa da nossa fraqueza. Não são as bombas que o vão destruir, nem as armas dos russos ou dos americanos, mas uma aliança internacional, com força moral para combater esta ideologia», considerou o patriarca, em declarações à Família Cristã, no final dos trabalhos desta manhã no Sínodo dos Bispos que decorre no Vaticano.

O prelado sírio considera que «a primeira chave para a paz no Médio Oriente e no mundo inteiro é, verdadeiramente, uma solução consensual, com uma aliança internacional que resolva a crise na Síria, a guerra», mas não esqueceu a questão israelo-palestiniana. «Um segundo ponto é a justiça para os palestinianos, a solução do conflito israelo-palestino», considerou.

Gregório III diz que «não é possível, é injusto que haja colonatos judaicos na Cisjordânia», e que o problema reside na «incapacidade» da comunidade internacional. «O problema de todo este mal-estar é a incapacidade da comunidade internacional», acusa.

A sala de imprensa informou hoje que o Sínodo dos Bispos irá publicar uma nota sobre os cristão no Médio Oriente, até porque «hoje», diz o prelado, «é preciso insistir sobre a importância do Médio Oriente para o futuro de todo o mundo». «Estamos muito reconhecidos por termos conseguido obter uma declaração do Sínodo em favor dos cristãos no Médio Oriente», disse.

Neste seguimento, Gregório III pede que haja «uma voz comum da Igreja, com um documento do Papa que seja assinado também pelo patriarca ortodoxo (Bartolomeu I), pelos anglicanos, pelos luteranos, pelo Conselho Ecuménico das Igrejas». «Esta voz una da Igreja tem de ser enviada aos responsáveis do mundo inteiro, para que haja uma voz comum política», considera.


O problema dos milhares de refugiados que continuam a chegar à costa europeia merece uma atenção especial por parte do patriarca sírio, que considera que é um problema com consequências graves para a Europa e para o Médio Oriente. «É um problema duplamente grave para nós, porque perdemos os nossos médicos, os nossos professores, os nossos académicos que são equilibrados, abertos, cristãos e muçulmanos», e para a Europa, que «não está preparada para este tsunami da presença não-europeia, de cristãos que precisam de atenção pastoral, e de muçulmanos que querem preencher o vazio do laicismo».

Isto pode, no entender do Patriarca Gregório III, «provocar islamofobia e também cristianofobia, o que levará a um choque de civilizações», avisa o prelado.

Texto: Ricardo Perna/Octávio Carmo
Fotos: Ricardo Perna

1 de novembro de 2014

«A Europa deve olhar para o Médio Oriente quando pensa na família»



O Patriarca Gregório III, da Igreja Greco-católica Melquita da Antioquia e de todo o Médio Oriente, Alexandria e Jerusalém, com sede em Damasco, está em Portugal para falar da situação dos cristãos no Iraque e na Síria, a convite da fundação Ajuda à Igreja que Sofre. No final da conferência que proferiu na Fundação Pro-Dignitate, em Lisboa, esteve à conversa com a Família Cristã sobre o Sínodo da Família que decorreu em Roma, onde participou. 

Gregorius III mostrou-se satisfeito com o evento, que classificou de «convincente». «Pudemos ver, através da opinião de todos os bispos de todo o mundo, como está a situação em todo o lado e agora podemos ver como lidar com estas questões em cada país e vamos trazer as nossas ideias para o sínodo do próximo ano», afirmou.

Para o Patriarca sírio, não foram tomadas decisões não por falta de consenso, mas por não haver indicações nesse sentido, daí apenas terem surgido propostas e reflexões nos documentos apresentados aos fiéis. No que toca à Igreja do Médio Oriente, Gregorius III defendeu que, apesar dos problemas que afetam as famílias nos diferentes continentes, «a única zona que não tem problemas na família em todo o mundo é o Médio Oriente».

«Apesar dos outros problemas que temos, como a guerra ou a pobreza, a família é algo que se mantém forte. Pai, mãe, avós, tios… todos se protegem e protegem a família. Aqui na Europa isso não acontece, cada um olha por si. Este tipo de sociedade que temos lá ajuda-nos a defender a família», sustentou o prelado, que afirmou que se mostrou espantado por verificar a existência de tantos problemas que não existem nas suas comunidades e famílias.

O Patriarca alertou para o risco de deixar a ideologia secularista e que privilegia o relativismo vingar onde parece que está a ganhar terreno, como a Europa e a América do Norte, comparando-a à ameaça do Islão ou mesmo do autoproclamado Estado Islâmico. «A ideologia secularista ateia é mais perigosa para o Cristianismo e para a fé que o Islão ou o ISIS», avisou. 

E é nesse sentido que deixa a proposta. «A Europa deve olhar para o Médio Oriente quando pensa na família. E do Oriente virá a luz, como se diz, e nós estamos no berço da Cristandade, pelo que podem aprender connosco e com a nossa experiência», garantiu o prelado sírio.

Texto e Fotos: Ricardo Perna