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24 de outubro de 2015

Sínodo 2015: Bispos alertam para crise humana no Médio Oriente e condenam tráfico de armas



Os participantes no Sínodo dos Bispos que decorre no Vaticano publicaram hoje uma declaração de apoio às populações vítimas da guerra no Médio Oriente e outras regiões, condenando o tráfico de armas. «As nossas vozes unem-se ao grito de tantos inocentes: basta de violência, basta de terrorismo, basta de destruição, basta de perseguições! Que cessem imediatamente as hostilidades e o tráfico de armas», assinala o texto, distribuído aos jornalistas pela sala de imprensa da Santa Sé.

Os participantes na assembleia sinodal denunciam o uso de armas de destruição em massa, assassinatos «indiscriminados», decapitações, raptos, tráfico de mulheres, perseguições religiosas e étnicas, bem como a destruição de lugares de culto e de património cultural. «Atrocidades incontáveis obrigaram milhares de famílias a fugir das suas próprias casas e a procurar refúgio noutro lugar, muitas vezes em condições de extrema precariedade», pode ler-se. A declaração sustenta que a paz no Médio Oriente não vai chegar de «escolhas impostas pela força», mas de «decisões políticas que respeitem as particularidades culturais e religiosas» de cada país.

O documento apresenta uma palavra de agradecimento aos países que estão a acolher refugiados do Médio Oriente, ajudando pessoas que há vários anos são «vítimas de atrocidades indescritíveis». «Estamos convencidos de que a paz é possível e de que é possível parar a violência que na Síria, no Iraque, em Jerusalém e em toda a Terra Santa atinge todos os dias cada vez mais famílias e civis inocentes e agrava a crise humana», referem os participantes no Sínodo. Neste contexto «dramático» há violações «contínuas» dos princípios fundamentais da dignidade humana e dos direitos humanos, como a liberdade religiosa.

Os signatários pedem a «libertação de todas as pessoas sequestradas» nestas guerras, alargando a sua preocupação a outras partes do mundo, em especial a África e a Ucrânia.

Texto: Octávio Carmo (Agência Ecclesia)
Foto: Ricardo Perna

23 de outubro de 2015

«O Estado Islâmico não é forte, só tem força por causa da nossa fraqueza»



O patriarca sírio Gregório III Laham, líder greco-melquita de Antioquia, considera importante que haja «voz única em favor da justiça, da paz, da amizade», que possa ajudar a resolver os conflitos no Médio Oriente. «Um dia são os norte-americanos que combatem, no outro são os russos, é inútil. O Estado Islâmico não é forte, só tem força por causa da nossa fraqueza. Não são as bombas que o vão destruir, nem as armas dos russos ou dos americanos, mas uma aliança internacional, com força moral para combater esta ideologia», considerou o patriarca, em declarações à Família Cristã, no final dos trabalhos desta manhã no Sínodo dos Bispos que decorre no Vaticano.

O prelado sírio considera que «a primeira chave para a paz no Médio Oriente e no mundo inteiro é, verdadeiramente, uma solução consensual, com uma aliança internacional que resolva a crise na Síria, a guerra», mas não esqueceu a questão israelo-palestiniana. «Um segundo ponto é a justiça para os palestinianos, a solução do conflito israelo-palestino», considerou.

Gregório III diz que «não é possível, é injusto que haja colonatos judaicos na Cisjordânia», e que o problema reside na «incapacidade» da comunidade internacional. «O problema de todo este mal-estar é a incapacidade da comunidade internacional», acusa.

A sala de imprensa informou hoje que o Sínodo dos Bispos irá publicar uma nota sobre os cristão no Médio Oriente, até porque «hoje», diz o prelado, «é preciso insistir sobre a importância do Médio Oriente para o futuro de todo o mundo». «Estamos muito reconhecidos por termos conseguido obter uma declaração do Sínodo em favor dos cristãos no Médio Oriente», disse.

Neste seguimento, Gregório III pede que haja «uma voz comum da Igreja, com um documento do Papa que seja assinado também pelo patriarca ortodoxo (Bartolomeu I), pelos anglicanos, pelos luteranos, pelo Conselho Ecuménico das Igrejas». «Esta voz una da Igreja tem de ser enviada aos responsáveis do mundo inteiro, para que haja uma voz comum política», considera.


O problema dos milhares de refugiados que continuam a chegar à costa europeia merece uma atenção especial por parte do patriarca sírio, que considera que é um problema com consequências graves para a Europa e para o Médio Oriente. «É um problema duplamente grave para nós, porque perdemos os nossos médicos, os nossos professores, os nossos académicos que são equilibrados, abertos, cristãos e muçulmanos», e para a Europa, que «não está preparada para este tsunami da presença não-europeia, de cristãos que precisam de atenção pastoral, e de muçulmanos que querem preencher o vazio do laicismo».

Isto pode, no entender do Patriarca Gregório III, «provocar islamofobia e também cristianofobia, o que levará a um choque de civilizações», avisa o prelado.

Texto: Ricardo Perna/Octávio Carmo
Fotos: Ricardo Perna